sábado, 22 de setembro de 2012

escrito de manhã


         Eu bebia demais. Tinha voltado a fumar e meu pulmão não andava aguentando a pressão. Já quase não comia, estava ficando magra. O que tinha dentro transparecia na carcaça. E não foi por desleixo, ou falta de amor, veja, eu tentava me cuidar. Ia no salão, pintava o cabelo, me arrumava e tentava colocar uma cara feliz, de que nada me incomodava. Mas por dentro, aquela coisa que eu prendia dentro da jaula, gritava, rugia.
         Eu saia pra tentar distrair a cabeça e caia na mesma armadilha. Sabe aquela paixão avassaladora, que te fode e vc acaba perdoando e esquecendo tudo o que você passou, em prol da relação? Era o meu relacionamento com o copo. Toda manhã era uma dor de cabeça, de estômago, psicológica. Eu fazia a retrospectiva e era a mesma coisa: dormir dentro do carro, escutar músicas depressivas, chorar, me sentir um lixo. E eu não controlava, era algo que ficava latente e uma hora explodia.
         Comecei a ler Bukowski e nunca me identifiquei tanto com um homem. Aquela decadência era sem igual. Uma casa com latas e garrafas por tudo quanto é lado, aquela apatia... era tudo o que eu tinha, não materializado, mas dentro de mim. E eu não conseguia mais controlar.

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