domingo, 23 de setembro de 2012

brasa que vira cinza


         Quando a apatia domina os outros sentimentos, a gente vive sem perceber. Chegava em casa só queria um cigarro. Cinza já era o mundo e eu queria mais um pouco entre meus dedos e no meu pulmão. Cinza era o meu constante estado de espírito.
         Eu tinha ido a um jantar. Na mesa do lado, um cara fumava o tempo inteiro e aquele cheiro me enchia de vontade. Falando de amor, o cigarro compartilhava os meus pensamentos. A gente fala de todas as merdas que já passou, abaixa a cabeça e dá uma olhada pra brasa queimando na mão, como se ela soubesse o que a gente tá pensando. Eu tentava dormir e pensava nele. Parecia até meu novo amor. E era aquele tipo de amor que ou as pessoas te discriminam,  ou te incentivam, como se soubessem que aquilo era minha fraqueza patética.
         Parar de fumar é apenas um dos motivos pra voltar. Os outros são sempre os mesmos, tempos difíceis, falta de grana, relaxar um pouquinho. Você até tenta olhar pelo lado positivo, tenta sentir outras coisas, mas o cinza vai transformando as outras cores. Quando a gente percebe tá dominado por aquilo que antes era brasa, que brilhava muito, e que agora é cinza. Porque quando a apatia domina os outros sentimentos, a gente vive sem perceber.

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