sábado, 3 de novembro de 2012

o tic-tac do gato


Era impressionante que todas as vezes que a gente brigava aquele gato da sorte chinês que você me deu começava a fazer um barulho irritante. Ele balançava o braço mandando prosperidade pra mim o dia inteiro, sem fazer um ruído, mas bastava a gente brigar pra que começasse a estalar aquela coisa. Era igual um tic-tac de relógio, muito alto e muito irritante. Eu chegava puta, chorando, entrava no meu quarto batia a porta e logo começava aquele “tec tec” enlouquecedor.
Eu não sei se tem alguma ligação, mas é muita coincidência pra um universo só. Era como se o gato me lembrasse de você, como se você ainda estivesse presente mesmo naquela hora em que eu queria que você desaparecesse do mundo. Como se fosse um tipo de magia que te fizesse presente. O que me irritava mais era que a coisa só parava de fazer aquele barulho se eu levantasse, pegasse o maldito gato que eu queria atirar contra a parede e sacudisse, que nem a gente faz com uma coisa que não funciona, esperando que aquele parafuso solto volte pro lugar com uma sacudida mágica.
Bem que poderia, de fato, funcionar essa técnica. Toda vez que a gente achasse que algo não estava funcionando direito era só dar uma sacudidela e tudo voltava a funcionar perfeitamente, como era antes. Acho que o gato era a materialização daquilo que eu queria dar uma sacudida pra que voltasse a funcionar. O nosso parafuso caiu e eu não conseguia acertar aquele tic-tac que não tinha compasso quando a gente estava junto. Sei lá, acho que as vezes as coisas saem do lugar e não voltam, ficam sem jeito de consertar.

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