sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

borboletinha


Eu entrei numas de não ligar. Não ligar para o que os outros pensam, pra comentários negativos, pra babaquice dos outros. De certa forma, parei de ligar para o que eu penso, afinal a maior juíza de mim sempre fui eu mesma. “Não faça isso, vai contra os seus princípios” eu me dizia, sendo mais rígida comigo mesma do que um dia eu fui com qualquer outra pessoa. Tenho tentado não pensar muito nas coisas, afinal o que tem de ser será e assim seja, amém. Se eu parar pra pensar, sentir medo, analisar é o fim de toda essa corrente que me envolve.
Olhando pela janela, do décimo primeiro andar, vi uma borboletinha. Ela nunca conseguiria chegar tão alto se não fosse pela corrente de vento. Eu sei, a gente tem mania de ficar criando metáforas pra se confortar, pra acreditar que a vida tem algum sentido, algum rumo. De qualquer maneira, me sinto um pouco como essa borboletinha. Quem sabe se eu parar pra pensar e decidir pra qual lado eu vou, as coisas vão parar de acontecer... e elas tem acontecido, isso é certo. Voltar para a comodidade eu não quero, então vou seguir a corrente de vento, seja lá pra onde ela for. Me sentir livre, viva, foi tudo que eu sempre quis.

domingo, 2 de dezembro de 2012

me puxa


Fecho os olhos e tento pensar numa música que fale o que eu quero pra você. Começo a cantar, assim mesmo, de olhos fechados. Eu sempre gostei de cantar então te dedico uma das coisas que eu tenho de melhor. Modéstia é sempre a parte, são poucas as coisas nas quais eu sou boa, então pelo menos essas que eu conto nos dedos da mão, eu posso falar a verdade, me orgulhar e dizer que sim eu sou boa.
Eu sempre tive esse jeito de “me larga”, mas querendo ser puxada. Acho que é o único tipo de amor que eu sei ter. A necessidade de testar quem eu realmente quero, pra ver se ela aguenta o tranco, testar se ela me quer mesmo quando eu digo não, se aceita eu ser quem eu sou. Será que você aceita? Não sei, mas você já foi embora tantas vezes. Eu já fui também, sem necessariamente querer ser puxada. Eu voltei, mas você não era o mesmo, eu não era a mesma. Sua barba e seu cheiro eram, e eu queria que fossem mesmo, do jeito que eu deixei, mas acho que só isso ficou. Eu não sei, eu nunca sei. E será que é isso mesmo?
“Fica comigo?” você disse. Ah, eu fico, mas não sei por quanto tempo. É o suficiente? Eu não sei, eu nunca sei. Mas ai você foi, antes de me contar por quê, antes de me dizer o que fazer comigo. Eu digo me puxa e você me larga.