domingo, 15 de junho de 2014

a noite do couvert

A gente saiu. Foi num desses restaurantes chiques da cidade. Claro que você ia pagar, não por machismo, mas porque eu to quebrada mesmo.
"Nada de restaurante exótico com comida crua" você disse. Começando a perceber que a gente não tem nada a ver, eu quase disse que não ia. Dei o benefício da dúvida.
Você me pegou em casa e a gente foi escutando um trance no caminho pro restaurante. Trance?? Puta que pariu, me mata agora.
Chegamos no restaurante e você ao invés de me levar pela mão, colocou a sua mão nas minhas costas, quase na minha bunda. Não importa quantas vezes a gente transou, por favor, não me apalpe em público.
Sentamos na mesa já posta, com várias taças e talheres que você nem sabe usar. Você riu, achando bobo o restaurante que você mesmo escolheu. Eu disfarcei.
O couvert chegou na nossa mesa, trazido pelo garçom, muito bem trajado. Eu, com fome, logo me servi. Você fez cerimônia para comer. Comer não pode, apalpar sim. As vezes não entendo a lógica das pessoas para certas coisas.
Pedimos um prato, eu brinquei com o saleiro e você me disse cheio de razão o quanto achava ridículo os protestos atuais. Eu preferi não discordar e dei mais uma garfada. Como você tem opiniões para uma pessoa tão sem razão.
Pedimos a conta. Você fez questão de pagar, claro. Eu deixei sem cerimônias.
Você queria um motel. Eu disse que estava cansada. "Meu dia foi longo, podemos combinar outro dia?" "Sem problemas, lindinha". Vou te mostrar o lindinha...
Eu desci do carro, entrei no prédio, subi os sete andares e entrei em casa. Tirei os sapatos, o casaco e o vestido. Sentei na cama. Pensei. Acho que teria sido mais feliz no espetinho da esquina. Nunca mais te liguei.

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