domingo, 22 de junho de 2014

cena da madrugada

Ela caminhava pela rua. Meia calça, saia curta, uma blusa simples, casaco grosso. Toda de preto. Os cabelos estavam soltos, balançando no vento, compridos e loiros. O cabelo lembrava o verão, mas era um inverno pesado. Ela carregava uma cerveja na mão direita e um olhar duro no rosto. Sua maquiagem, perfeita, simples. Não sabiam de onde ela vinha, mas ela estava ali, andando em passos largos, fazendo barulho com a bota na pedra da calçada. Ela olhava em frente, como se estivesse sozinha, mas a rua estava lotada. O cheiro de cerveja e cigarro inundava a rua. Ela desviou de pessoas, mas seguiu firme seu caminho. Olhou pros dois lados, para atravessar a rua, bem perto de um carro. Ela era tão perfeita de frente, quanto de costas, caminhando para longe da multidão que tomava conta da madrugada.
Naquela noite, havia muita neblina, o ar estava muito úmido. Ela passou e continuou caminhando, sempre em frente. Virou a esquina e sumiu. Depois disso a vida mudou.

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