segunda-feira, 16 de junho de 2014

sala, cozinha, cama, janela

Já estávamos juntos a seis horas. Eu tinha tirado um cochilo no colchão da sala e você ficou no telefone resolvendo problemas com clientes. Levantei devagar, olhei você sentado de costas, telefone na mão, de frente pro computador. Seu cabelo bagunçado é o que eu mais gosto.
Fui tomar um banho e trocar de roupa, tirar o vôo de mim. Sai de toalha, claro, pra você ver. "Tem uma cerveja, pra gente ir esquentando?"
Você me olhou atônito, sem se mover, sem piscar. Dois segundos depois, voltou a si. "Claro, vou pegar". Fui colocar minha roupa.
Bebemos aquela cerveja em silêncio, sentindo o escuro e a luz amarela da luminária tomando conta. "Mais uma?" "Claro" eu disse.
Você foi pra cozinha, eu fui atrás, mas você não viu. Fiquei te esperando bem perto, querendo que você tropeçasse em mim quando se virasse. Você tropeçou, quase caiu e eu também. Me abraçou e me segurou.
Você caiu na minha boca e eu na sua. Foi de leve, largou a cerveja no balcão, passou a mão no meu cabelo. Me beijou com mais força e eu fui junto. Passei a mão nas suas costas e senti sua nuca arrepiar. Gostei do seu gosto. Beijou meu pescoço e passou a mão na minha perna. Fiquei arrepiada e te arranhei de leve. Passei a mão no seu cabelo, pra deixar ele mais bagunçado. Naquela luz laranja você era lindo. Começamos a caminhar, como se estivéssemos dançando, em direção ao colchão da sala. Fui descendo de vagar, você veio junto. Aquele beijo tomou conta de nós dois, você em cima de mim, pesado, confortável. Me senti em paz.
A luz laranja apagou. Abri os olhos e olhei pela janela, já era dia. Mais uma noite sonhei com você.

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