terça-feira, 15 de julho de 2014

gosto

O meu telefone tocou. Era o número dele. Não sabia se atendia ou não. Deixei tocar, não queria decidir. Uma chamada perdida. Ele ligou novamente. Meu coração começou a pulsar mais forte. Eu queria falar com ele, mesmo depois de dias sem dar sinal de vida. Ele sumiu sem me dizer porquê, mas eu ainda lembrava dele como se tivesse saído da minha casa a dez minutos.

-Alô. (meu coração palpitava, tentando segurar a ansiedade)
-Oi, amor. Como você está? Que saudade...
-Tudo bem...
-Queria te encontrar, será que a gente podia tomar um café amanhã?
-Olha... Não sei se é uma boa ideia...
-Amor, eu sumi, eu sei. Ando muito ocupado com trabalho, com todos os convites sociais que eu PRECISO comparecer, não foi por querer, minha gatinha. Senti muito tua falta nesses dias...
-Sabe que existe algo mágico chamado mensagem de texto? É bem útil...
-Minha linda, você sabe como são as coisas, você sabe que não foi por querer, vai... Meu coração é teu...
-Não sei o que dizer... Eu estou muito ocupada essa semana...
-Passo na tua casa, então. Que tal? Levo um vinho, a gente ouve uma música e colocamos tudo em dia, eu prometo.
-Olha, você não tem nada comigo, não precisa me prometer nada.
-Gatinha, não faz assim. Você sabe que eu te amo...
Silêncio.
-Amanhã, na tua casa então, amor?
-Tudo bem. Até lá.
-Beijo, gatinha.
-Beijo.

Desliguei o telefone arrependida por ter caído nessa mais uma vez. Mas tenho na boca e na memória o permanente gosto dele. É inevitável.

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