domingo, 6 de julho de 2014

ligação

-Alô?
-Oi, sou eu.
-Ah, oi. E ai?
-To precisando conversar, será que você pode me encontrar?
-Não vai dar...
-Por que?
-Olha só, você não acha que tá sendo um pouco cara de pau, não? Você sempre foi cheio de razão, disse que não precisava de ninguém, que se sentia muito bem sozinho, que enjoava das pessoas fácil? Pois é, aparentemente sou assim também. Enjoei de você, peguei nojinho.
-Você não falaria assim se soubesse como eu to mal...
-Eu não to entendendo bem aonde você quer chegar. Você quer piedade? Caridade?
-Nunca imaginei você me dizendo isso.
-Sabe, as pessoas cansam. Até das que não fazem questão, como você. Nunca fez questão, eu também nunca insisti. No primeiro minuto que você tem um problema, corre pra pedir ajuda. No mínimo estranho, você há de concordar. Quem é o dono da razão e do mundo, tem, no mínimo, que ter bolas pra aguentar o que a vida manda.
-Você tá certa, não deveria ter ligado...
-Olha, se eu posso te falar algo que preste: chega dessa razão que você carrega sempre. Você é uma pessoa com muitas opiniões para pouca razão. Seja humilde. E realiza, a gente tá sozinho de qualquer jeito, afastando todos ou tendo muita gente ao redor. Aproveitando que tu ligou, faz algo que preste. Vai limpar a casa, ou levar teu cachorro pra passear. Não fica sem fazer nada, porque daí você tem essas idéias de girino, tipo me ligar.
-Não vou mais te ligar.
-Ótimo.
-Obrigada, tchau.
-Tchau.

Um comentário: