domingo, 6 de julho de 2014

o dia que meu coração abriu a boca

Eu cheguei e comigo veio a noite fria. Deitei na cama, sem tirar a roupa, como normalmente faço. Botei a mão no peito como para segurar ele de explodir em mil pedaços. Meu coração batia apressado. Como pode né? Tem gente que mexe com a gente, que faz a gente pensar que vai morrer, de felicidade, de tristeza, de saudade. Só conseguia pensar que saí do calor da cama e do abraço dele pra voltar sozinha pro frio.
Meu coração começou a tentar sair pela boca, como se tivesse vida própria. Senti como se fosse vomitar, abri a boca e ele saiu mancando um pouco. Sentou na cama do meu lado e me olhou sério. "Qual é que é menina? Você não cansou de me maltratar não? Você e aqueles outros lá já me deram muita porrada. To cansado. E ai você anda mil km só pra tentar me maltratar de novo. Eu to te avisando, um dia desses eu vou fugir e seu peito vai ficar vazio. É isso que você quer?" ele pausou, exausto. "Esse cara ai faz o teu tipo. Inteligente ele, gostei. Acho que pode até dar certo. Confesso que eu mesmo estou um pouco apaixonado por ele. Parece que ele gosta de você. Vê lá hein, menina. Eu não aguento mais um round não. Chega dessa queda livre. Esse outro ai que vive dentro da sua cabeça também, nem pra ajudar. E tem gente que acha ainda que cérebro também não se apaixona. Se apaixona e até demais. Aí começa a criar mil e uma justificativas para o amor dele. Pensando bem, esse Sr. Cérebro é meio estranho, gosta de debater com ele mesmo..." Eu continuei sem falar, não acreditando que meu coração tava sentado, de pernas cruzadas, do meu lado.
"Olha, vou voltar pro teu peito, mas por favor, chega de me foder." Ele caminhou, entrou na minha boca, desceu e voltou a bater normalmente. Eu me levantei e senti medo, que de repente se misturou com toda a saudade que eu já tava sentindo. Meu coração acelerou, entendendo que mais um round vinha por aí.

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