terça-feira, 19 de agosto de 2014

você.

Hoje eu acordei tomada, domada, enebriada por todas essas coisas que você me faz sentir. Olhei pro lado e só tinha travesseiro. O espaço que sobrava ao meu redor queimava. Queimava de saudade, de amor, da sua falta. O espaço tinha quase o contorno do seu corpo, só esperando você encaixar. Quando você volta hein? Não quero mais viver sem ele, pensei. Levantei. Trabalhar, comer, respirar você. Hoje foi um desses dias que eu só fiz você. Voltei pra casa, cantarolando uma música de amor, intoxicada pela tristeza da sua falta e pela felicidade de ter deixado meu coração com você. Continuei cantando a música, acabando com metade de mim e explodindo a outra metade de amor. Esse lance de te amar tanto me dá um medo. Começo a misturar minhas loucuras com a realidade, passando e repassando seu rosto na minha cabeça, me doendo o coração em pensar que não vou te ver, virando mil confetes por pensar na próxima viagem. Nessa eu fico, alternando entre carnaval e quarta-feira de cinzas, tudo num dia só. Inevitavelmente te amando demais, mais do que posso, mais do que eu quero, mais do que o meu peito comporta. "Mas eu preciso dizer que eu te amo, te ganhar ou perder, sem engano"...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

metade da laranja

Já ouvi muitas vezes essa história de que todo mundo tem sua metade da laranja, toda panela tem sua tampa, todo chinelo véio tem um pé pra calçar. Vou dizer que já experimentei umas tampas pequenas demais, provei algumas laranjas azedas e calcei alguns chinelos que não me serviam.
Também dizem que os opostos se atraem, mas já estive com gente diferente demais de mim pra saber que as pessoas precisam ser, pelo menos em alguns níveis, compatíveis para poderem ficarem juntas.
Como você gosta do café de manhã, que bagunça te tira do sério, que você bebe demais, que figa indignado com injustiças, que tem alergia a ácido acetilsalicílico, que adora fazer nada de vez em quando e que topa ir ver filmes ruins, desde que esteja junto de quem gosta. Enfim, uma metade de laranja que busca outra que não azede demais o suco, entende?
Minha vida nunca esteve tão boa. Não gosto nem de falar porque tenho a sensação que vai desandar. Amo meu trabalho, minha casa, meus amigos, minha vida. Só faltava a minha metade. Aquele que vai comigo ver o mundo, ouvir músicas, fazer sexo enlouquecidamente, aguentar meus gatos dormindo na cama, ver minha série preferida somente porque eu disse que é minha preferida, caminhar de mão dada comigo no frio e no calor, simplesmente porque não quer viver sem segura-la.
Não muito longe de mim, eu arrisco dizer que achei minha metade. Pode ser paixão, loucura, borderline, não importa. É sentimento e é tão forte que é quase palpável. Escrevo sobre ele e isso já prova muita coisa. Já pensou perder isso que é tão raro no mundo? Meu olho lacrimeja de pensar, meu subconsciente grita de terror em forma de pesadelo. Quero segurar a tua mão também, no inverno, verão, primavera e outono, em Porto Alegre, São Paulo, Nova York ou Japão, seja suando ou congelando, chuva ou sol, no parque, na rua, na cama. Não vou soltar.
Se azedar um pouco, a gente põe açúcar, se ficar doce demais, a gente põe um pouquinho de água, mas fica aqui, tomando um suco comigo, porque realmente tá bom demais.