domingo, 11 de setembro de 2016

as fotos na parede


Em casa, deitada na minha cama, em meio a livros e pêlo de gato, olhei as fotos na parede me peguei pensando: já li todos esses livros, me conectei com pessoas fictícias em níveis tão profundos... Meus livros e essas fotos tem isso em comum. Esse passado parece tão distante, o dos livros e o meu com essas pessoas. A gente nunca conhece ninguém de fato né, e ai se pega descobrindo que eram meros personagens. Tive também pessoas que passaram pela minha vida que nem registro fotográfico eu tenho. Mais alguns personagens. Melhor assim, menos uma memória física pra eu querer destruir. As que ficaram na minha cabeça não dá pra eliminar, mas pelo menos as evidências delas não estão também estampadas na minha parede. Queria poder guardar  minhas memórias de algumas pessoas da mesma maneira que se pode guardar as fotos, enfiar tudo numa caixa, ficar anos sem abrir e esquecer que um dia elas estiveram na minha vida, pra só lembrar quando fizesse aquela faxina anual geral na casa, que tiro um monte de coisa velha que não serve mais pra jogar fora. Por enquanto, eu tenho que guardar essas memórias, mas se eu pudesse jogaria tudo fora hoje, pra me sentir mais leve, menos triste, mais aberta. Levantei e tirei as fotos da parede, guardei tudo numa caixa. Era o que eu podia fazer no momento.

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