domingo, 20 de novembro de 2016

Maldade

Eu na rua, as 4h da manhã. Você recém chegado da rua, em casa. "Vem pra cá, eu quero te ver, quero ficar com você", sabendo que eu não resisto, é óbvio que fui. Entrei na sua sala escura, bêbada como de costume, você na porta me olhando. Olho pro seu rosto e mais uma vez seus olhos verdes me algemam. Por entre suas coisas, entro seu labirinto, com destino certo: sua cama. Jogo o salto num canto, quero tirar o vestido sujo de bebida e com cheiro de festa pra me vestir de você. "Me dá uma camiseta?" e sem cerimônia tirei o vestido. Te olhei só de calcinha, te testando, como sempre. Apesar de você ser arrogante, eu sempre te intimidei com a minha atitude de não ligar pra nada, de não ter vergonha de me despir, tanto de roupas quanto dos meus pensamentos. Você me deu a camiseta, meio atordoado, mas sem perder a pose e chance de já me tocar. Deitei na cama e disse que tava cansada. Você não perdeu tempo e percorreu minha perna com sua mão, me fazendo relaxar. Me virou, fazendo carinho nas costas, meu ponto fraco. No meu primeiro suspiro, você sabia que era a hora, se deitou em mim, olho no olho, seu corpo pesado. Meu deus, como eu senti falta disso. Tirou a camiseta e eu também. Deitado entre as minhas pernas, depois de ter te procurado em vários outros corpos nesses meses, eu finalmente te achei. Tem algo inexplicável em você, que me traz sempre de volta. Sua destreza pra me guiar exatamente onde quero ir, parece que você tá dentro da minha cabeça. E aí eu me entrego, você totalmente no controle, bagunçando minha cabeça e dominando meu corpo. 
Satisfeitos, você deitou e me abraçou. Tenho que admitir, carinhoso você sempre foi, mesmo quando não tem que ser, mesmo quando a gente tava só pela maldade, como hoje. Não sei se é bom ou ruim, só que no final isso sempre fode comigo, esse seu carinho que me puxa e depois me larga. "Eu não sei o que eu quero, eu sei que eu gosto de você, sinto sua falta" você disse. Com a cabeça a milhão, mesmo cansada, te falei tudo que eu penso sobre nós dois, sobre você, sobre mim. Jogando tudo pra fora, na intenção de me fazer entender que não existe mais nós dois. Juntei minhas coisas e disse que ia embora e você me pediu pra ficar. "Quero dormir com você". Você sabe como me segurar, mas mesmo invadindo toda a minha razão, meu coração calejado de porrada me disse que não queria apanhar de novo. "Não. Eu volto outro dia". O mundo rodava, mais pelo o que a gente tinha acabado de viver do que pelo álcool. Tentei andar em linha reta, tropeçando um pouco nos pensamentos, segui e entrei no carro. 
Eu volto, pra me desmanchar na sua cama, meu eterno cativeiro, olhando no seu olho, tentando entrar no seu coração e na sua cabeça, sem sucesso, tudo pra me perder de novo.