terça-feira, 7 de novembro de 2017

Efeito Colateral

Fui até o aeroporto pra ver as luzes da cidade. Os pontos laranjas brilhosos piscando me dão um pouco de paz em momentos como esse. Meus olhos cheios de lágrimas que há tempos tentavam sair. O choro engasgado tomava conta da minha garganta em forma de grito, finalmente alforriado. Meu peito parecia pesado e não era efeito colateral do remédio novo. Desde que te vi eu sabia que meu coração seria vidro repousando na ponta da estante, prestes a cair e estilhaçar em mil pedaços. De qualquer maneira, é o preço que a gente paga por se apaixonar sem se segurar, e assim, dito e feito, dentro do meu carro, eu catava os cacos que tinham sobrado. A noite era escura, poucos carros passavam por mim. Eu poderia estar num lugar lotado e me sentir exatamente como naquele instante: sozinha. Tentava refazer os passos que me levaram a aquele momento: a estrada, meu copo de cerveja, as mensagens, os telefonemas, os gestos que eu não percebi, os olhares desviados, os beijos não dados. Fazia uma conta matemática que simplesmente não fechava, não fazia sentido. Nenhum avião decolando pra que eu imaginasse estar dentro e mesmo assim eu já me sentia distante, da realidade, dessa cidade, de você, e isso doía tanto que eu sentia em cada pedaço do meu corpo preso nesse presente que eu queria escapar. Meus olhos continuavam cheios, meu peito vazio e apertado, minha mente desesperada sem conseguir raciocinar direito. Continuei olhando as luzes, sentindo os efeitos colaterais de você.

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