segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Last Night

Sua pele macia, nós duas em sincronia perfeita, um beijo macio e quente dentro do elevador. Entramos no seu apartamento no mesmo passo, você entrou primeiro, meus pés formigando de ansiedade. Eu entrei, larguei a bolsa no chão e comecei a tirar a roupa.  Queria um banho para tirar a noite do corpo e estar pronta para me cobrir de você, mas hesitei. Sentei na cadeira, acendi um cigarro e esperei você sair do banheiro. Seu rosto branco, olhos como chamas cor de ouro, seu cabelo colorido contra a luz. Percorri a mão pelo seu pescoço, trazendo você mais para perto, encostei a boca na sua e senti sua respiração. Talvez você estivesse bêbada e eu também, mas não era o high que me deixava em êxtase. Era tudo seu. Seu corpo perfeito, vestido em roupas pretas que eu queria rasgar e jogar no chão faziam uma sombra na parede junto ao meu, como se fossemos uma só. Passei as mãos pelos seus quadris e enfiei-as debaixo da sua camiseta surrada, como tinha costume de fazer. Sua pele fria, esperando por mim para ficar quente era um desafio o qual eu não podia recusar. Puxei sua camiseta acima da sua cabeça enquanto de dava um beijo demorado. Tudo que eu tinha dentro de mim, investido em um beijo de final de noite. Eu pensava se valia a pena investir tanto de mim, enquanto meu coração dizia “só vai”. Começamos a caminhar em direção da cama, eu tirando minhas roupas, sem esperar por você, como tenho mania de fazer. Você sentou, meu pegou no colo, já com o peito nu, sentindo o seu, passando a mão em meus cabelos emaranhados da noite com uma delicadeza que eu nunca havia visto antes. Com a mão por trás da minha cabeça, me deitou em seu travesseiro, aquele do cachorro, continuando a me beijar com o gosto que só você tem. As luzes do seu apartamento piscavam como se fosse Natal. Suas mãos percorreram meu rosto, contornando a linha do meu maxilar, descendo para o tórax. Você tirou as minhas meias ridículas de abacate, meu short, percorreu minhas coxas e me abraçou. Eu senti que estávamos juntas, independente do que acontecesse. Poderia um meteoro cair ali, eu estaria segura em seus braços. Deitamos, rostos frente a frente, eu olhando fundo em seus olhos, como se fosse a minha ultima cena. Você olhou fundo nos meus olhos também. Não sei o que passava na sua cabeça, mas eu só pensava que poderia te amar mais do que qualquer um. Passei a mão no seu rosto, você continuava com a pele fria como de costume. Puxamos a coberta e nos abraçamos. Se eu pudesse escolher um momento para congelar no tempo, seria esse.

As seis da manhã, com a ressaca da noite anterior batendo no meu crânio com força, te olhei serena dormindo. Não sei com o que você estava sonhando, mas eu esperava que fosse comigo. Levantei, coloquei minha roupa e peguei o que me pertencia ao meu alcance. “Menos coisas para vir buscar depois”, pensei. Te olhei uma última vez, beijei seu rosto e fui embora. Ao entrar no carro, eu não queria acreditar que essa tinha sido nossa última noite. Ainda não quero.

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